Livraria Cultura

17.11.11

Arena Bilbao

Apelidado por alguns de lagarto verde, a arena de basquete está localizada em Bilbao, cidade que é conhecida no mundo principalmente pelo Museu Guggenheim, de Frank Ghery.

Trago este equipamento para o blog por vários motivos, mas três deles são os principais: inserção no terreno, preocupação ambiental e vedação. Claro que não comparo as soluções com possíveis aplicações em estádios pois a capacidade do equipamento é extremamente menor, 9.000 pessoas, mas serve como avaliação das possibilidades e técnicas que podem ser utilizadas pelos arquitetos desde que estes tenham liberdade de trabalho, sem ser limitado pelo cliente, como também uma visão do cliente aberto às opções. Além disso, não é qualquer arquiteto que consegue fazer projetos para públicos grandes, deve ter experiência e/ou estudos na área. São programas complexos e um arquiteto leva um bom tempo para compreender e ainda assim poder criar novas soluções como esta abaixo.

A implantação
O bairro onde está inserido é residencial e um equipamento esportivo geralmente é a causa de muitas reclamações por causa de barulho excessivo. É exatamente por esse motivo que o projeto já previu posicionar este equipamento no topo do terreno. Dessa forma o som é minimizado e, se trabalhado junto com o paisagismo aí sim, praticamente neutralizado.

Diferente de muitos equipamentos esportivos que vemos hoje em dia, este conseguiu manter todo seu entorno permeável, sem deixar de se preocupar com a segurança em casos de incêndios e/ou pânico. Usou seu próprio corredor como área aberta, poupando de ventilações forçadas.

A preocupação

Geralmente, o grande questionamento do governo e também dos cidadãos (principalmente os que não praticam esportes) para se permitir a construção de equipamentos esportivos é o quanto eles vão custar, não só na construção, mas em gastos de manutenção. É fundamental considerar tanto os usos que o local deve ter para que consiga se sustentar financeiramente e sem ficar às moscas, como também se atentar às atitudes que podem ser tomadas desde a elaboração do projeto para que os gastos sejam reduzidos. Geralmente esses equipamentos consomem uma quantidade de energia bem grande por conta de iluminação noturna interna e externa, ambas potentes, para garantir a qualidade de jogos e segurança do público e da região onde se insere.

O escritório ACXT responsável pelo projeto arquitetônico, demonstrou extremo cuidado com materiais e com a iluminação e ventilação da arena, poupando de gastos desnecessário e aproveitando a iluminação do sol forte de Bilbao, mas protegendo-o local através da fachada (logo mais comento sobre ela).

O projeto tem espaços que podem ser utilizados pelos habitantes locais quando a arena não estiver sediando uma partida. Esse setor está produz menos barulho, é, portanto a parte mais próxima aos edifícios do entorno, localizados no trecho em anexo, na parte mais baixa do terreno. Esse setor é naturalmente iluminado e para garantir a boa distribuição dessa iluminação, as divisões internas são em vidro.

O equipamento também possui uma cisterna para captação da água da chuva, utilizada na irrigação de toda essa parte externa permeável e parte da água da piscina localizada no setor anexo, deve ser retirada diariamente por questões de higiene. De forma alguma essa água seria disperdiçada, então também é reutilizada na lavagem das ruas das proximidades.

A fachada

A vedação externa é feita em placas de metal que simulam folhas em diversas cores. Elas podem ser retiradas permitindo melhor ventilação e iluminação nos corredores e, mais, permitir uma vista privigilegiada da região já que está no topo em relação as edifícios vizinhos. No entanto, vejo-as funcionando como escamas, que podem ser trocadas e até mesmo remanejadas, dando até um carater metamórfico e interativo, mudando a paisagem. de fato, não sei se é possível, mas aparentemente as placas são de tamanhos iguais e imagino que possam ser redistribuidas e ter seus trabalhos de cores transformados.



Vale ressaltar também que está arena conta com arquibancadas retráteis (veja neste vídeo), equipamento fruto de bastante curiosidade pelo público aqui do blog. Leia mais sobre o assunto no Blog Arquibanca, clicando aqui.

No entanto, essa fachada não é extremamente parecida com a fachada do projeto do novo Camp Nou, estádio do Barcelona, projetado pelo escritório Foster & Partners? O que acham? Vejam mais. Ambos os projetos são de 2010, ambos na Espanha.




Fontes (com mais fotos disponíveis): 
Inhabitat
Arch Daily


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